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Criar uma indústria cada vez mais competitiva é, para quem nela está, um dos grandes desígnios. E nesta questão, a digitalização é um importante aliado. O uso de simuladores digitais que reproduzem processos reais constitui, na opinião de Teresa Neves, da Simulflow, “um fator importante para a competitividade”.
Adiantando que a simulação de processos industriais “já é hoje uma realidade em muitas empresas, incluindo em Portugal e na indústria de moldes”, defende que “as empresas que metodicamente já fazem uso destas tecnologias, com serviços próprios dedicados ou recorrendo à prestação de serviços, estão um passo à frente dos seus concorrentes”.
É que, salienta, “o uso de meios de simulação, permitindo ganhos substanciais de tempo, redução de uso de materiais, experimentação fácil e de muito baixo custo de múltiplas hipóteses, afirma-se como uma inquestionável vantagem em termos de prevenção de riscos e perdas, redução de custos, potencial de inovação e tempo de fornecimento ao cliente ou de colocação no mercado”. Neste processo, considera ainda Teresa Neves, é inquestionável o papel dos meios tecnológicos.
No entanto, adverte, “para além disso, o conhecimento dos profissionais é fundamental para se tirar o máximo partido das ferramentas de simulação, tal como, aliás, a sua integração numa equipa técnica multidisciplinar, por forma a validar as decisões técnicas e avaliar opções baseadas em critérios objetivos estabelecidos a partir dos dados recolhidos do modelo virtual”.
Teresa Neves defende que a ligação da simulação com os processos de fabrico deve ser iniciada o mais precocemente possível. “Deve ser efetuada logo na fase dos procedimentos de desenvolvimento do produto e ir acompanhando todas as fases do processo, incluindo a produção”, afirma, salientando que, “desta forma permite-nos decidir com base em factos fornecidos pelas simulações, fazer a ponte entre o mundo virtual, preditivo, e o real; e afinar parâmetros a partir da produção concreta”.
Maior eficácia e eficiência
Funcionando como ‘aliado’ de cada uma das fases do processo produtivo, não tem dúvidas de que a simulação “gera mudanças que tornam os processos mais eficazes e eficientes, o que reduz o custo de produção, aporta significativos ganhos de tempo, melhora a capacitação de pessoas e fomenta a inovação”.
Mas não só. No seu entender, “também contribui para a diminuição dos erros, permitindo fazer ajustes na fase inicial dos projetos e diminuir o tempo necessário para o lançamento de novos produtos”. E destaca ainda um outro aspeto importante: “permite realizar testes a baixo custo”.
A velocidade a que a tecnologia caminha ditará avanços notórios neste processo. Para Teresa Neves, “o próximo passo passará por utilizar mecanismos de inteligência artificial integrados, de molde a que os softwares sejam capazes de aprender com eventuais erros e tornar os resultados cada vez mais precisos e adequados às expectativas”.
Por outro lado, salienta ainda, “a investigação científica sobre os fenómenos complexos que ocorrem no processo produtivo, designadamente no processo de injeção e outros processos avançados, e a adequada caracterização dos materiais são aspetos cruciais para que os simuladores digitais consigam esbater cada vez mais a diferença entre o virtual, teórico, e a realidade concreta”.
Texto: Helena Silva
Publicação: Revista TECH-i9 (2021)